Um orçamento pessoal é um plano para o dinheiro do mês: quanto vai entrar, quanto vai para cada coisa e quanto vai sobrar para os seus objetivos. A diferença entre um orçamento que funciona e um que é abandonado na segunda semana costuma estar em poucos detalhes práticos. Os quatro pontos principais:

  • Orçamento é plano, controle de gastos é registro. Você precisa dos dois: o plano antes do mês começar e o registro para comparar no fim.
  • Comece pelo valor líquido e pelos gastos reais. Use a renda que de fato cai na conta e os extratos dos últimos meses, não estimativas.
  • Renda variável pede um orçamento diferente. Freelancers e quem recebe em dólar devem orçar pela renda mais baixa provável e separar impostos antes de tudo.
  • Um orçamento bom é simples o bastante para ser revisado todo mês. Poucas categorias e uma revisão mensal funcionam melhor do que uma planilha perfeita que ninguém atualiza.

Passo 1: descubra sua renda líquida

Some tudo o que entra na conta em um mês típico, já descontados impostos, contribuições e tarifas. Se você é assalariado, é o valor do contracheque depositado. Se tem mais de uma fonte, some todas.

Se a sua renda varia

Use a média dos últimos 6 a 12 meses e, ao lado, o valor do mês mais fraco. O orçamento deve caber no mês mais fraco; o que vier acima disso vai para reserva ou objetivos.

Se você recebe em dólar

Use o valor em reais que efetivamente chegou à conta depois de câmbio e tarifas, e não o valor faturado em dólar. Se você recolhe o carnê-leão, separe o imposto antes de distribuir o resto (explicamos como funciona em como receber dinheiro do exterior).

Passo 2: levante os gastos reais

Abra os extratos da conta e as faturas do cartão dos últimos três meses e classifique cada gasto. Esse levantamento costuma revelar diferenças grandes entre o que a gente acha que gasta e o que gasta de fato, principalmente em delivery, transporte por aplicativo e assinaturas. Falamos sobre isso em gastos invisíveis.

Passo 3: defina poucas categorias

Categorias demais tornam o orçamento cansativo. Uma estrutura que funciona para a maioria das pessoas:

CategoriaO que entra
MoradiaAluguel ou financiamento, condomínio, IPTU, luz, água, gás, internet
AlimentaçãoMercado, feira, refeições fora, delivery
TransporteCombustível, transporte público, aplicativos, manutenção
Saúde e educaçãoPlano de saúde, remédios, cursos, escola
DívidasParcelas de empréstimos e financiamentos, fatura atrasada
ObjetivosReserva de emergência, metas de curto e longo prazo
Pessoal e lazerRoupas, assinaturas, viagens, presentes

Passo 4: distribua a renda

Um exemplo com valores

Uma pessoa com renda líquida de R$ 5.000 por mês poderia distribuir assim:

CategoriaValor% da renda
MoradiaR$ 1.60032%
AlimentaçãoR$ 90018%
TransporteR$ 4008%
Saúde e educaçãoR$ 3507%
DívidasR$ 3006%
ObjetivosR$ 75015%
Pessoal e lazerR$ 70014%
TotalR$ 5.000100%

Esse é só um exemplo. Uma referência conhecida é a divisão 50/30/20 (necessidades, desejos, objetivos), mas ela raramente cabe em quem paga aluguel alto ou tem dívidas. O que importa é que a soma feche e que exista um valor fixo para objetivos.

Pague-se primeiro

Transfira o valor de "Objetivos" no dia em que a renda entrar. O que sobrar no fim do mês tende a ser zero.

Passo 5: acompanhe e revise todo mês

Escolha uma ferramenta que você vai usar

Planilha, app do banco ou caderno: a melhor ferramenta é a que você abre toda semana. Muitos bancos já categorizam os gastos automaticamente no app.

Revise no fim do mês

Compare o orçado com o realizado em cada categoria. Se uma categoria estoura todo mês, o problema provavelmente é o valor orçado, não você: ajuste o número e corte em outra categoria.

Ajuste quando a vida muda

Mudança de emprego, de cidade ou de renda pede um orçamento novo, não um remendo no antigo.

Erros que fazem o orçamento falhar

Esquecer gastos anuais

IPVA, IPTU, matrícula, seguro e presentes de fim de ano parecem exceções, mas acontecem todo ano. Divida o total anual por 12 e reserve esse valor por mês.

Não ter margem para imprevistos

Um orçamento sem nenhuma folga quebra no primeiro imprevisto. Mantenha uma categoria pequena de "imprevistos" enquanto a reserva de emergência não estiver formada.

Usar o cartão de crédito como extensão da renda

Compras parceladas comprometem orçamentos futuros. Ao orçar, considere as parcelas que já vão cair nos próximos meses.

Ignorar a conversão de moeda

Quem paga assinaturas ou ferramentas em dólar com cartão emitido no Brasil paga IOF de 3,5% e a cotação do dia sobre cada compra. Orce esses gastos em reais com folga. Uma alternativa é pagar essas despesas direto de um saldo em dólares: o cartão global da conta global da GrabrFi não cobra tarifa em compras em dólares (e cobra 1,5% em outras moedas). A GrabrFi não é um banco: os serviços são prestados pela Bridge Ventures LLC e suas afiliadas reguladas, o cartão é emitido pelo Lead Bank e o saldo não é um depósito bancário nem tem seguro FDIC; ele é respaldado 1:1 por reservas em dólares mantidas em contas segregadas.

Perguntas frequentes sobre orçamento pessoal

Qual é a diferença entre orçamento e controle de gastos?

O orçamento é o plano feito antes do mês começar, com quanto vai para cada categoria. O controle de gastos é o registro do que foi gasto de fato. Comparar os dois no fim do mês é o que faz o orçamento melhorar.

Qual é a melhor forma de fazer um orçamento pessoal?

A que você consegue manter: poucas categorias, valores baseados nos seus gastos reais dos últimos meses e uma revisão mensal. A ferramenta (planilha, app ou papel) importa menos do que a constância.

Como fazer orçamento com renda variável?

Calcule a média e o valor do mês mais fraco dos últimos 6 a 12 meses. Faça o orçamento caber no mês mais fraco e direcione o excedente dos meses bons para a reserva e para os objetivos.

Quanto da renda devo guardar?

Não há percentual único. Uma referência comum é algo entre 10% e 20% da renda líquida, ajustado à sua realidade. O mais importante é guardar um valor fixo todo mês, mesmo que pequeno no começo.

Como incluir gastos em dólar no orçamento?

Converta pelo custo total em reais, incluindo IOF e cotação, e reserve uma folga para a variação do câmbio. Se você também recebe em dólar, pode fazer sentido pagar esses gastos direto de um saldo em dólares.

A conta global para sua vida local.

Fontes consultadas